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Conselho
Municipal da Habitação
Cidades com
esgoto tratado pagam melhor trabalhadores e
gastam menos com internações
Os trabalhadores de cidades onde toda a
população conta com coleta de esgotos
eficiente ganham salários, em média, 13,3%
acima dos que vivem em municípios onde tais
serviços são precários. A conclusão é
resultado de análises feitas pela Fundação
Getulio Vargas ao elaborar o estudo
Benefícios Econômicos da Expansão do
Saneamento Brasileiro, a pedido do Instituto
Trata Brasil.
Com base em dados da Pesquisa Nacional de
Amostragem de Domicílios (Pnad) do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o levantamento informa que a renda
média dos trabalhadores é de R$ 930 e que
60% do total, em atividade, vivem em
moradias com rede de esgoto. Segundo os
técnicos responsáveis pelo estudo, se os
serviços fossem estendidos a todos, o ganho
de renda mensal poderia passar de R$ 50 por
trabalhador. Foi constatado que, em
municípios com acesso limitado a apenas 20%
da população, o salário médio é de R$ 885,
enquanto nas cidades com acesso universal, o
valor sobe para R$ 984. Além disso, os que
têm renda menor também correm mais risco de
problemas de saúde. Anualmente, cerca de 217
mil trabalhadores afastam-se de suas
atividades por distúrbios gastrointestinais
associados à carência nos serviços de
saneamento. Estima-se que a cada caso são
perdidas 17 horas de trabalho e que a
probabilidade de faltas do trabalhador por
diarreia é 19,2% mais baixa entre as pessoas
com acesso à rede coletora. Essas ausências
geram custos no valor de R$ 238 milhões por
ano em pagamento de horas não trabalhadas.
A pesquisa também mostra que nos locais
atendidos pela rede de esgoto os imóveis
podem ser, em média, até 18% mais
valorizados e que os investimentos em obras
de saneamento retornam, parcialmente, ao
Estado na forma de pagamentos de impostos
como o Predial e Territorial Urbano (IPTU) e
sobre Transferência de Bens Imóveis (ITBI).
Com informações do Datasus, a FGV constatou
também que o setor público poderia
economizar nas internações por infecções
gastrointestinais. No ano passado, 462 mil
pessoas foram hospitalizadas e 2,1 mil
morreram. O custo de internação é de R$ 350,
em média.
Os técnicos calculam que a universalização
dos serviços de saneamento permitiria
reduzir em 25% o número de internações e em
65% os índices de mortalidade. Para o
presidente do Trata Brasil, André Castro,
seriam necessários investimentos anuais de
R$ 15 bilhões para combater o déficit no
setor e universalizar o atendimento até
2025. ” Hoje o ritmo está na metade disso e
é preciso aumentar a velocidade de forma
constante”. Nessa projeção, informou Castro,
foram levados em conta os investimentos em
expansão da rede (R$ 160 bilhões) e o
restante na absorção do aumento da população
e troca dos sistemas antigos.
No ranking de 81 cidades analisadas, Jundiaí
(SP) ocupa a melhor posição. Em 2003, o
município estava no 50º lugar, mas, de lá
para cá, aumentou os investimentos em 63% na
coleta de esgoto e 57% no abastecimento de
água. A pior situação é a de Porto Velho,
onde não existe esgoto tratado e apenas 2,1%
da população têm acesso à rede e 61%, à
água.
Fonte: Agência Brasil
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